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sexta-feira, 17 de agosto de 2007

O CONTRATO

-Ò filho mas nós não temos que comer,- mas o pai tem muito dinheiro guardado que eu já vi.-
-Mas o nosso problema não é o dinheiro, filho o nosso problema é não haver nada para nós
comprarmos com o dinheiro, e na horta também já não há nada para comer.
A mãe vai falar com o pai e desta vês vai lá o pai falar com o sr. José, está bem assim?
-Tá bem mas só a seguir ao Natal. - está bem eu vou falar com o pai.- Ó Mãe, a nossa cabra onde está?
- Olha filho tivemos que a trocar por milho para fazer pão, que os teus irmãos já não provavam pão á mais de
um mês, então e já não há desse pão?- Não filho já se acabou.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

A TRAGÉDIA

Quem nada tem, nada come, E ao pé de quem tem comer, se alguém disser que tem fome, comete um crime sem querer. O filho então o que foi que aconteceu, nada -como nada se tu estás aqui quando devias estar na casa do teu patrão? - Ele pôs-me na rua,- E por que te pôs ele na rua? - porque eu gosto da d. Joaninha. Ai valha-me Deus, que tragédia, então e ele disse que não te queria lá mais?- Não ele não disse isso, só disse, some daqui para fora, e eu fugi, enquanto ele ficou a ralhar com a d. Joaninha.- (Estamos em Novembro de 1943 em plena guerra) Olha filho logo quando o teu pai chegar nós vamos falar e depois eu ou o teu pai vamos lá falar com os teus patrões para tu voltares para lá. - Eu não quero voltar para lá.

de novo em casa

Então filho o que é que te aconteceu, o que tu fizeste? Nada mãe o sr. José é que me mandou embora mas sem rasão. Estás á espera que eu acredite que o sr. José estava muito bem e de repente lembrou-se e disse esta-me a apetecer mandar o miúdo embora, e chegou a ti e disse : vai-te embora some daqui para fora. Ele tem ciumes de mim mãe, Eu não acredito no que eu oiço. Mas é verdade mãe. O teu pai quando souber vai ficar contente vai. O mãe mas eu juro que não tive culpa. Nós mais logo falamos.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

O REGRESSO

Pronto :eu levo-te para casa mas a tua mãe vai ficar triste com isto.
mas eu não fiz mal nenhum tio.
Pronto não se fala mais nisso. (A chegada a casa) Ai Jesus o que é que aconteceu filho. Não acontece nada, eu vinha do mercado e vejo o rapas a correr e gritei-lhe, o que tinha acontecido, e ele disse-me só que não tinha acontecido nada. ó compadre obrigado por mo ter trazido. Pronto adeus. Adeus.
- Olha aqui Joaninha ou tu mudas de comportamento, ou nós vamos ter problemas por causa do rapas.Eu proíbo te de te abeirares dele.
E tu achas que isso é justo, é só uma criança. É uma criança que me está a dar muito que pensar.
Não sejas tonto e onde é que ele está? Descansa que ele não foge.

sábado, 11 de agosto de 2007

A DESILUSÃO

E o rapas muito assustado corre sem saber muito bem para onde. com os olhos muito abertos enquanto corre, pensa: Eu gosto muito da sra. Joana, mas eu vou fugir e só volto quando o sr. José morrer. E se a sra. Joana morre primeiro? Ó... quem vem ali o meu tio Francisco. Ó rapas para onde vais tu assim a corre dessa maneira, parece que vais a fugir de alguém. Foi o meu patrão que me pôs na rua. E o que fizeste tu para ele te por na rua? nada ele é que não gosta de mim, eu vou levar-te lá e vou falar com o teu patrão não tio leve-me pá minha casa, pá minha mãe.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

A confissão

Eu não te imaginava tão precoce, realmente uma mulher que não cria um ou mais filhos, não sabe nada da vida, tu surpreendes-me todos os dias.
Olha vem lá o sr. José.
então rapas não queres outra vida , quem te quer ver é debaixo
da saia da patroa.
então a mãe dele já foi embora?
Já coitada da sra.
Vê-se que há-de ser
boa sra. É para ti qualquer pessoa que chore é logo boa pessoa.
- Olha eu se convivesse com ela mais tempo,
aprendia muito junto dela,ela pode ser pobre mas não é tola.
Á pois não o tolo sou eu que te dou ouvidos .
Uma pessoa mata-se a trabalhar , e estas mostrengas ,
que não fazem nada. E tu ó fedelho o que estás ainda aqui a fazer,
a conversa não é contigo, some já daqui para fora.

Não Esperava

A sra. não tem filhos? - Não, ou para bem ou para mal dos meus pecados.
- Eu gostava muito : ou de ser seu patrão ou como sou pequeno ser seu filho, mas gostava mais de ser seu patrão. olha tu és tonto, é o que tu és.- A sra. Já não gosta de mim como gostava?- Eu gosto, mas sabes´há coisas que agora são verdades e logo já não são.
Olha o sr. José vem aí.
Então menino é só a sra. e o resto já não se pensa em trabalhar nesta casa?

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

A CONFISSÃO

Olha lá ó meu malandro, eu defendo-te sempre e tu já tens catarro?
O que é que isso quer dizer catarro?- quer dizer que o meu marido se calhar ás vezes tem rasão,- mas a sra. diz que sempre que ele não tem rasão nenhuma. - pois digo mas possivelmente, nem sempre estou certa.
Para mim a sra. está sempre certa.
Já agora diz lá, para que querias tu um objecto como eu
quando fores grande?- Para os meus amigos verem que eu tinha a
mulher mais bonita do mundo.
Olha eu e o meu marido nunca fomos capazes de dar um filho um ao outro,
mas de facto as crianças são a coisa mais linda e bela que há no mundo.
Ò dona Joaninha e eu também sou lindo e belo? - és meu querido,
Mas nunca ninguém me tinha dito isso, mas és podes crer.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

OLHANDO PARA TRÁS

OLHA MEU MENINO. PROCURA EVITAR QUE UM DIA OLHES PARA TRAZ, E QUE NÃO VEJAS NADA DE ÚTIL, EM TUDO O QUE FIZESTE. -A EU NUNCA OLHO PARA TRAZ, A MINHA MÃE ENSINOU-ME QUE NUNCA SE OLHA PARA TRAZ,-MAS NÃO É DESSE OLHAR PARA TRAZ QUE EU ESTOU A FALAR, EU ESTOU A FALAR DE QUANDO EU ERA MENINA ATÉ AGORA O QUE É QUE EU FIZ ,E O QUE É QUE EU TENHO E O QUE É QUE EU SOU: NUNCA FIZ NADA, NÃO TENHO NADA, E SOU APENAS UM OBJECTO DE USO PESSOAL DO MEU MARIDO. AS PALAVRAS QUE A TUA MÃE ME DISSE SOBRE SER , OU NÃO ESCRAVA PUSERAM-ME A PENSAR.- POSSO DIZER UMA COISA Á SRA.? PODES:- EU GOSTO MUITO DA SRA. MAS AINDA SOU PEQUENO, QUANDO EU FOR GRANDE TAMBÉM QUERO TER UM OBJECTO DE USO PESSOAL ASSIM COMO A SRA..-

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

O REENCONTRO

CCHEGA O SER. J. MARTINS - ESTA SRA. NÃO É A MÃE DO GAROTO? É A D. MARIA A MÃE DO E.G. -SIM SRA. ENTÃO VEIO FAZER UMA VISITA AO FILHO.- SIM NÓS SOMOS POBREZINHOS MAS TEMOS MUITO AMOR AOS NOSSOS FILHOS. - EU SEI ESTAVA SÓ A BRINCAR. MAS OLHE QUE ESTE MALANDRO ESTA-ME A SAIR TEMPORÃO DE MAIS. A SRA. SABE QUE ELE JÁ GOSTA MAIS DA PATROA DO QUE DO PATRÃO.- Ó SR. J. EU NÃO SOU DE CERIMÓNIAS SE CALHAR A SRA. TRATA-O MELHOR DO QUE O SR. NÃO É POR ISSO É PIOR QUE A PATROA VESTE SAIA E EU VISTO CALÇAS. - O SR. DESCULPE MAS NÃO DEVE ESTAR BOM DA CABEÇA, JÁ VIU QUE ESTAMOS A FALAR DE UM MIÚDO DE SETE ANOS?- É É M,AS JÁ SABE O QUE É BOM. ISTO SÃO PALERMICES MINHAS NÃO LIGUE, ENTÃO E O SEU MARIDO ESTÁ BOM? COITADO FARTO DE TRABALHAR, É UM MOURO DE TRABALHO, ELE TAMBÉM GOSTAVA DE VER O FILHO MAS ALGUÉM TEM QUE TRABALHAR E OLHAR PELOS ANIMAIS, FICOU LÁ. - E EU VOU-ME EMBORA AMANHÃ.

domingo, 5 de agosto de 2007

CONVERSA

A SRA. ESTA-ME A DIZER QUE O SEU MARIDO TEM CIUMES DO MEU FILHO?- NEM MAIS NEM MENOS, É O QUE ACABOU DE OUVIR. AI ´VALHA-ME DEUS. EU NÃO POSSO ESTAR A OUVIR BEM, - ESTÁ SIM - SABE O SEU MARIDO DEVE TER UM GRANDE GOSTO NA SRA. COM ESSE CABELO DESSE TAMANHÃO QUANTOS METROS TEM O SEU CABELO?- O MEU MARIDO DIZ QUE TEM 3,50METROS, ESTE CABELO TEM 17 ANOS DE IDADE. E COMO É QUE A SRA. TRABALHA?- EU NÃO TRABALHO EU VIVO SÓ PARA O MEU MARIDO E PARA O MEU CABELO. - OLHE MINHA SRA. POBREZINHA SOU EU MAS ESCRAVA COMO A SRA. ISSO EU NUNCA FUI E NEM VOU SER. E TU MEU FILHO COMO É QUE VAIS - BEM - E ESTÁS CONTENTE DE CÁ ESTARES? - EU GOSTO MUITO DA SRA. D. JOANINHA MAS DO SR. ´SÉ NEM POR ISSO TENS QUE TER CALMA FILHO TU AQUI AO MENOS NÃO PASSAS FOME.

A CONVERSA

Boa tarde, olá a sra. por aqui? é verdade, vim fazer uma visita ao filho que já tinha saudades dele.
Fez a sra. muito bem e o seu homem também está bom?la vai andando
como Deus quer. Então e o meu filho porta-se bem?assim assim,
ás vezes podia portar-se melhor.
Eu vou ter uma conversa com ele. Não é nada o meu homem é que anda a meter macaquinhos
na cabeça. macaquinhos como? Agora deu-lhe para ter ciumes do miúdo.
Ó sr. José eu não acredito no que eu estou a ouvir. Mas eu acredito naquilo que eu já vi.
Ó sr. José eu preciso muito mas problemas eu não quero. Não está tudo bem
Não se preocupe.

sábado, 4 de agosto de 2007

O reencontro

Trus Trus: É aqui que mora o sr. j. Martins? - É sim e a sra. quem é? eu sou a mãe do e. g. -A entre eu sou a Joana a mulher do j. Martins. - muito gosto em conhece-la. Já vi que a sra. veio fazer uma visita ao seu filho sim eu já quase morria de saudades: - Eu entendo mas olhe ele está na horta com o patrão mas daqui a pouco ele chega porque tem que ir acartar agua para casa.
Á sim e como é que ele se comporta, - Olhe ele é muito bom menino, mas o meu marido tem ciumes de mim com ele, olhe aí vem ele.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

seis meses depois

Entretanto os pais de E. G. sentiam o coração apertado, as saudades eram muitas. A luta dos pobres para sobreviver naquela época, era muito grande.
Mas as saudades acabaram por vencer. Um dia a mãe do E. G. Resolveu meter
os pés ao caminho para ir visitar o filho.,e com um pequeno farnel num saquito
de pano cru, para lhe ajudar a vencer as quatro horas de caminho lá foi a sra.
Maria. O sr. Henrique teve que ficar em casa não podiam ir os dois, já haviam mais dois filhos e as galinhas e uma cabrita que dava o leite lá para casa, e então o pai ficou.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

O INQUÈRITO

Então meu menino, o sr. J. tem-te procurado coisas sobre mim?,- tem sim sra. Olha eu não quero que tu me digas, o que ele tem procurado sobre mim, e também não quero que tu lhe contes o que eu falo contigo. - Nem quando ele me pergunta?
- Nem quando ele te pergunta.- ele não quer que eu minta. E tu não mentes. - Então como é que eu faço?- Dizes só a Sra. não falou nada comigo, que foi só o tempo de ires fazer o mandado. - Mas eu tenho medo dele, - Medo? ai dele que te
faça mal e que eu saiba,- E como é que a sra. sabe?
É só tu me dizeres. - E depois? - depois é comigo e com ele,
não tenhas medo que nada te acontece.
Está bem eu vou fazer como a sra. me encimou, porque a sra. é como uma mãe para mim. - E ainda quero ser muito mais se tu te portares bem.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

A PESQUISAR O DESCONHECIDO

Ó e. g . Eu já te disse que quando eu te pergunto alguma coisa não quero que tu me mintas. e isto que eu te vou perguntar não é para ser falado para mais ninguém, estamos entendidos? sim sr. estamos.- diz-me cá o que é que a sra. d. Joana gala contigo quando tu estás com ela?- Então diz-me o que quer que eu lhe faça, mas diz-me exactamente como é que ela fala para ti, - então diz assim, Ó menino anda cá fazer aqui um mandado, - e depois? - depois, diz-me o que quer que eu lhe faça. -Então e o que é que ela normalmente te manda fazer? - ir á fonte, á lenha para a lareira, e outras coisas.- E como é que tu gostas mais que te chamem? é E. G. ou menino? tanto faz, - E se te chamarem de cão também gostas? não senhor,
á pensava que sim.eu daqui para a frente quero saber tudo o que a sra. te diz entendido? E nada de trafulhices.

terça-feira, 31 de julho de 2007

MARCAÇÃO DO PONTO

Hoje é feriado não há novela. Eu ando com pouco tempo e a justificar isso está o episódio de ontem, que é uma gafe atrás de outra.E eu agora não sei como Trazer o texto de volta para corrigir a cagada que fiz.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

O CIUME

Ó joaninha olha que tu não podes dar confiança ao,
pequeno, tu sabes tu sabes como é que são estes
filhos do acaso, todo o cuidado é pouco com eles.
Eu não acredito que estou em frente de uma sena
de ciumes; não é nada disso mas tu sabes como é que
são estes miúdos nascidos e criados lá no meio do
mato sabe-se lá filhos de quem.
Ó homem tu tem mas é juízo que isso até te fica mal, eu pela parte que
me toca vou fazer de conta que tu não falaste em nada sobre o miúdo e eu.
-Todo o cuidado é pouco, e é melhor prevenir do que ter que remediar.

domingo, 29 de julho de 2007

A IDA Á FONTE

Ó joaninha já ensinaste ao miúdo onde é a fonte?-Olha ainda não tenho-me esquecido: ó miúdo - diga sr. José - Anda cá para te ensinar onde fica a fonte: Vês alem aquele largo - sim senhor, - quando tu chegares aquele largo olhas á tua volta e deves ver uma vereda , essa vereda vai dar a um largo cheio de relva e com um lago no meio esse lago tem uma bica para encher os cântaros, não enchas no lago porque essa agua é suja, entendido?sim sr..Agora vais ter com a dona joaninha para ela te arranjar um cântaro, tens que ir buscar dez cântaros de agua, é para nós beber-mos, e para fazer o comer pra nós e pós porcos.
Ó José não leves a mal mas tu falas tão áspero para o menino, e ele é tão meigo e tão doce. É para ele aprender a ser homem em vês de ser um maricas. Não digas isso do menino, se tu visses a doçura com que ele olhou para o meu cabelo, era um amor velo.